QUEM GOVERNA MINHA INFLUÊNCIA?

 Leia comigo Provérbios 29:1–4.

Talvez, ao chegar ao versículo 2 e encontrar as palavras “justos” e “perversos”, nossa primeira reação seja pensar em governantes, autoridades ou pessoas que ocupam posições importantes.

Mas quero convidar você a olhar um pouco mais perto.

Salomão começa antes disso.

 



Antes do governo, vem a correção

Observe o versículo 1.

O problema daquela pessoa não é a falta de oportunidade para aprender. Ela foi corrigida muitas vezes.

O problema está em sua resposta à correção.

Ela endurece o pescoço.

Pense comigo: o que acontece dentro de você quando a Palavra de Deus confronta aquilo que você deseja?

Talvez seja aqui que começamos a compreender a diferença entre o justo e o perverso.

O justo não é alguém que nunca erra.

Ele também precisa ser confrontado, ensinado e corrigido.

A questão é: quando percebe que sua vontade está em uma direção e a Palavra de Deus aponta para outra, quem terá a palavra final?

O perverso segue na direção contrária. Mesmo confrontado, insiste em seu próprio caminho.

No fundo, estamos falando de governo.

Quem governa quando minha vontade e a vontade de Deus entram em conflito?


Aquilo que me governa alcança outras pessoas

Agora chegamos ao versículo 2.

Quando os justos aumentam, o povo se alegra; quando o perverso governa, o povo geme.

Perceba que Salomão olha para as pessoas que estão ao redor.

Um produz alegria.

O outro produz gemido.

E não precisamos ocupar um cargo para que isso aconteça.

Todos nós exercemos algum tipo de influência.

Dentro de casa.

No casamento.

Com nossos filhos.

Na igreja.

No trabalho.

Nas amizades.

Talvez você nunca tenha pensado em si mesmo como alguém que governa alguma coisa. Mas sua maneira de falar, decidir, reagir, corrigir, perdoar e tratar pessoas cria um ambiente ao seu redor.

Por isso, talvez a pergunta não seja:

“Qual posição eu ocupo?”

Mas:

“O que minha presença está produzindo nas pessoas?”

 

Nossas escolhas revelam nosso governo

O versículo 3 nos leva para as escolhas.

Um ama a sabedoria.

O outro escolhe um caminho que destrói aquilo que recebeu.

Isso nos ensina algo importante.

Podemos dizer muitas coisas sobre quem governa nossa vida, mas nossas decisões acabam revelando a resposta.

É quando preciso escolher entre minha vontade e a Palavra.

Entre preservar meu orgulho e pedir perdão.

Entre controlar e confiar.

Entre usar alguém para meus interesses e servi-lo.

Entre insistir no meu caminho e aceitar a correção.

É nesses momentos que descobrimos quem está governando.

 

Todo governo produz consequências

Então chegamos ao versículo 4.

O rei que governa com justiça estabelece a terra; aquele que utiliza sua posição para seus próprios interesses a destrói.

Um estabelece.

O outro derruba.

Aqui está um princípio que ultrapassa qualquer cargo.

Toda influência produz alguma coisa.

Podemos estabelecer ou derrubar.

Podemos construir ambientes onde pessoas florescem ou ambientes onde pessoas gemem.

Isso vale para um rei, mas também vale para uma família.

Vale para uma igreja.

Vale para um casamento.

Vale para uma amizade.

Vale para qualquer espaço onde nossa vida alcance outra vida.

Mas onde encontraremos esse Justo?

Se parássemos aqui, Provérbios poderia se transformar apenas em uma cobrança:

“Seja justo.”

“Faça escolhas melhores.”

“Governe melhor.”

Mas toda a Escritura nos conduz para além de nós mesmos.

Ela nos conduz a Cristo.

Jesus não apenas nos ensinou como um justo deveria viver.

Ele é o Justo.

E quando olhamos para Cristo, encontramos um Rei completamente diferente do governo humano.

Ele possui toda autoridade, mas não utiliza sua autoridade para explorar aqueles que estão debaixo dela.

Ele serve.

Ele restaura.

Ele acolhe.

Ele corrige.

Ele entrega a própria vida.

Na cruz vemos algo extraordinário: o Rei dando sua vida pelos súditos.

Por isso, a resposta para Provérbios 29 não é simplesmente tentar governar melhor nossa vida.

É reconhecer:

eu preciso ser governado por Cristo.

Quando sua Palavra me confrontar, posso abandonar meu próprio governo.

Quando minha vontade entrar em conflito com a dele, posso me render.

Quando perceber que minhas escolhas estão ferindo pessoas, posso voltar.

Porque o justo não é aquele que nunca precisa ser corrigido.

É aquele que não transforma sua própria vontade na autoridade final de sua vida.

E quanto mais o governo de Cristo alcança nosso coração, mais nossa maneira de alcançar outras pessoas começa a mudar.

Talvez seja essa a pergunta para carregarmos hoje:

Quando minha vida alcança outra pessoa, ela encontra apenas a minha vontade ou começa a experimentar algo do governo de Cristo?

 

Conclusão — Para quem serve minha influência?

Provérbios 29:1–4 nos leva a perceber que o problema não começa quando alguém recebe uma posição de autoridade. Ele começa no coração.

Quando sou confrontado, quem tem a palavra final?

O justo não é aquele que nunca erra, mas aquele que permite que Deus corrija sua direção. Ele não precisa ocupar um cargo para exercer influência. Onde sua vida alcança outra vida, alguma coisa está sendo produzida.

Por isso, o princípio serve para qualquer relacionamento: dentro de casa, no casamento, com os filhos, entre amigos, na igreja ou no trabalho.

O perverso coloca o outro a serviço de sua própria vontade.

O justo faz o movimento contrário: coloca sua vida a serviço de Deus para que, por meio dela, o próximo seja alcançado.

E é em Cristo que enxergamos isso perfeitamente.

Jesus tinha toda autoridade, mas não usou sua autoridade para colocar pessoas a serviço de seus interesses. Ele se submeteu à vontade do Pai e entregou sua vida por nós.

Por isso, nossa pergunta não deve ser apenas:

“Estou exercendo uma boa influência?”

A pergunta é mais profunda:

“Minha influência está servindo ao meu próprio governo ou está disponível ao governo de Cristo para servir o outro?”

Hoje, antes de tentar mudar alguém, permita que a Palavra confronte você.

Antes de perguntar o que os outros deveriam fazer, pergunte:

“Senhor, o que precisa mudar em mim?”

Porque quando Cristo governa nosso coração, as pessoas deixam de ser instrumentos da nossa vontade e passam a ser pessoas que podemos amar e servir.

O justo serve a Deus para que sua vida se torne instrumento do amor de Deus ao próximo.

 

Ore comigo:

Senhor Jesus, muitas vezes quero conduzir minha vida segundo minha própria vontade. Quando tua Palavra me confrontar, não permita que eu endureça meu coração. Ensina-me a receber tua correção e abandonar meu próprio governo. Governa minhas escolhas, minhas palavras e meus relacionamentos. E que, por meio da minha vida, as pessoas não experimentem o peso da minha vontade, mas os frutos do teu governo. Amém.

 

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