Quando ainda não há nada

 Texto para reflexão: 1 Reis 18:41–46

Quero conversar com você sobre aqueles momentos em que buscamos a Deus, sua Palavra ilumina nossa caminhada, damos um passo de obediência e, mesmo assim, quando olhamos para a realidade, parece que nada mudou.

Talvez você já tenha vivido isso.

Você compreendeu como deveria caminhar.

Obedeceu.

Orou.

Mas ainda não consegue enxergar aquilo que esperava.

E é justamente nesse espaço entre o que Deus disse e aquilo que ainda não conseguimos ver que encontramos Elias no monte Carmelo.




Deus já havia falado

Antes de chegarmos ao monte, precisamos lembrar de algo importante.

Deus havia dito a Elias:

“Vá apresentar-se a Acabe. Diga-lhe que enviarei chuva sobre a terra!”
1 Reis 18:1 | NVT

A chuva, portanto, não era uma ideia de Elias.

Deus havia falado.

Por isso, depois de tudo o que aconteceu no Carmelo, Elias diz a Acabe:

“Vá comer e beber, pois ouço uma forte tempestade chegando!”
1 Reis 18:41 | NVT

Mas existe um detalhe:

ainda não estava chovendo.

Elias tinha uma Palavra, mas seus olhos ainda não tinham o cumprimento dela.

Elias se curva

Enquanto Acabe vai comer e beber, Elias sobe ao alto do Carmelo.

O texto diz que ele:

“se curvou até o chão, com o rosto entre os joelhos.”

A NVT acrescenta que Elias orou.

O hebraico descreve principalmente sua postura, enquanto Tiago 5:17–18 nos ajuda a compreender que Elias estava, de fato, em oração.

Mas quero que você observe a cena.

O homem que havia permanecido em pé diante de Acabe agora está curvado diante de Deus.

Isso nos ensina algo sobre autoridade espiritual.

Elias podia falar diante dos homens porque sabia depender de Deus.

Ele não estava tentando convencer Deus a mandar chuva.

Deus já havia falado.

Agora Elias permanecia diante daquele que havia feito a promessa.

“Não vi nada”

Elias manda seu servo olhar em direção ao mar.

O servo volta com uma resposta curta:

“Não vi nada.”

Talvez essa seja uma das frases mais humanas dessa história.

Porque algumas vezes também olhamos para nossa realidade e pensamos:

Ainda não há nada.

Orei, mas ainda não há nada.

Obedeci, mas ainda não há nada.

Estou tentando caminhar segundo a Palavra, mas ainda não consigo perceber mudança.

Elias manda:

“Vá e olhe de novo.”

Isso acontece sete vezes.

Ele não está tentando produzir a chuva pela força de sua fé.

Ele simplesmente possui uma convicção:

Deus falou.

Por isso, o fato de ainda não conseguir ver não anulava aquilo que Deus havia dito.


Existe um tempo entre a Palavra e o que veremos

Essa talvez seja uma das partes mais difíceis da caminhada com Deus.

Queremos que aquilo que Deus nos ensina produza resultados imediatamente.

Mas nem sempre acontece assim.

Existe o tempo da Palavra.

Existe o tempo da obediência.

E existe o tempo da espera.

Foi assim durante toda a história da redenção.

Desde o princípio, Deus anunciou que a descendência da mulher venceria a serpente. Mas gerações passaram até que, na plenitude do tempo, Cristo veio.

A promessa não havia sido esquecida.

Deus estava conduzindo a história.

E em Jesus descobrimos definitivamente que Deus é fiel àquilo que promete, mesmo quando o cumprimento atravessa o tempo.


Uma pequena nuvem

Na sétima vez, o servo retorna:

“Vi uma pequena nuvem, do tamanho da mão de um homem, que se levanta do mar.”

Era pequena.

Mas era suficiente.

Pouco depois, o céu ficou escuro e caiu uma forte chuva.

Aquilo que Deus havia falado agora podia ser visto.

Elias não produziu a chuva.

Deus realizou aquilo que havia dito.

Elias simplesmente permaneceu debaixo do governo daquele que falou.


E quando a Palavra encontra nossa vida?

Talvez você esteja vivendo alguma situação para a qual ainda não possui respostas.

É nesse momento que a oração deixa de ser uma tentativa de convencer Deus a realizar nossos planos.

Nós nos aproximamos dele.

Abrimos sua Palavra.

Permitimos que ela confronte nossos pensamentos, nossas expectativas e nossos desejos.

E perguntamos:

“Senhor, como devo caminhar contigo nesta situação?”

Às vezes, a Palavra mostrará claramente nosso próximo passo.

Perdoar.

Esperar.

Pedir perdão.

Parar.

Continuar.

Confiar.

Obedecer.

Então caminhamos.

Mas talvez, depois de obedecer, você olhe novamente e ainda pareça que não há nada.

Nesse momento, não precisamos inventar outra palavra.

Precisamos permanecer com Cristo.

Porque fé não é obrigar Deus a realizar aquilo que desejamos.

Fé é permanecer debaixo do governo de Cristo enquanto Deus conduz nossa história segundo sua vontade e no seu tempo.

Talvez hoje você ainda não esteja vendo a chuva.

Tudo bem.

Volte para a Palavra.

Permaneça em Cristo.

E continue caminhando.

Porque a segurança da nossa caminhada não está naquilo que conseguimos enxergar no horizonte.

Está naquele que falou e permanece conosco enquanto esperamos.

Comentários

Postagens mais visitadas