Diante daquilo que estou sentindo, para onde vou?

 Reflexão

 Filipenses 4:4–9 | NVT

Quero conversar com você sobre algo que todos nós enfrentamos em algum momento da caminhada: o que fazemos com aquilo que sentimos.

Existem situações em que a vida nos atinge de uma maneira que não esperávamos.

Uma perda.

Uma dificuldade financeira.

Um problema dentro de casa.

Uma notícia que muda nossos planos.

Uma situação que simplesmente não conseguimos resolver.

E, quando isso acontece, sentimos.

Ficamos tristes, preocupados, com medo ou até sem saber muito bem o que fazer.

Talvez você esteja vivendo algo assim neste momento.

Por isso, quero começar nossa reflexão com uma pergunta bem simples:

Diante daquilo que estou sentindo, para onde vou?




Essa pergunta me veio enquanto refletia sobre uma orientação de Paulo:

“Alegrem-se sempre no Senhor. Repito: alegrem-se!”
 
Filipenses 4:4 | NVT

Paulo estava preso quando escreveu essas palavras.

Isso sempre me chama atenção.

Ele não estava dizendo que as dificuldades não importavam. Também não estava ensinando aquelas pessoas a esconderem suas emoções e aparentarem que estava tudo bem.

A prisão era real.

Assim como aquilo que eu e você enfrentamos também é real.

Por isso, existe uma expressão nesse versículo que considero muito importante:

“no Senhor”.

Paulo não diz apenas:

“Alegrem-se.”

Ele diz:

“Alegrem-se no Senhor.”

E talvez esteja aqui algo que precisamos aprender em nossa caminhada.

Alegrar-se no Senhor não é deixar de sentir o peso da realidade.

É não permitir que o peso da realidade determine como viverei meu relacionamento com Deus.


Para onde tenho levado aquilo que sinto?

Quando alguma coisa dói, nossa primeira reação normalmente é tentar diminuir essa dor.

E não existe nada de estranho nisso.

Ninguém gosta de sofrer.

O problema é que, algumas vezes, sem percebermos, começamos a procurar apenas alguma coisa que nos faça esquecer aquilo que estamos vivendo.

Tentamos nos ocupar.

Buscamos distrações.

Procuramos alguma coisa que nos dê prazer.

E por algum tempo talvez até funcione.

Mas depois percebemos que aquilo que nos preocupava continua ali.

Foi pensando nisso que comecei a perceber a importância do que Paulo diz logo depois:

“Não vivam preocupados com coisa alguma; em vez disso, orem a Deus pedindo aquilo de que precisam...”
 
Filipenses 4:6 | NVT

Veja como isso é relacional.

Paulo não está simplesmente ensinando um ritual chamado oração.

Ele está dizendo:

Leve para Deus aquilo que você está vivendo.

Se está preocupado, converse com Ele.

Se está com medo, converse com Ele.

Se está triste, converse com Ele.

Se não sabe o que fazer, diga isso a Ele.

Você não precisa chegar diante de Deus fingindo que está tudo bem.

Pode chegar como está.

Talvez uma das coisas mais importantes que precisamos aprender em nossa caminhada seja justamente esta:

Aquilo que acontece comigo pode me levar para mais perto de Deus.

 

Nem sempre Deus mudará imediatamente a situação

Existe outro detalhe nessa passagem que considero essencial.

Paulo não diz:

“Vocês vão orar e todos os problemas serão resolvidos.”

Ele diz:

“Então vocês experimentarão a paz de Deus, que excede todo entendimento e que guardará seu coração e sua mente em Cristo Jesus.”
 
Filipenses 4:7 | NVT

Isso muda muita coisa.

Porque algumas situações não serão resolvidas amanhã.

Um luto precisa ser atravessado.

Uma dificuldade financeira talvez leve algum tempo para ser reorganizada.

Um relacionamento quebrado pode não ser restaurado imediatamente.

Existem respostas que ainda não temos.

Mas podemos ter a presença de Deus enquanto atravessamos esse caminho.

E aqui aprendi uma diferença que considero importante:

Alívio e paz não são necessariamente a mesma coisa.

Existem coisas que podem aliviar momentaneamente aquilo que estou sentindo.

Mas a paz que Paulo apresenta não depende de eu conseguir fugir da situação.

Ela me sustenta enquanto caminho por ela.

Por isso, gosto de pensar assim:

Segurança não significa acreditar que nada ruim acontecerá.

Segurança é saber a quem recorrer quando algo ruim acontece.

 

Cuide também daquilo que ocupa sua mente

Paulo continua sua orientação falando sobre nossos pensamentos.

Ele nos ensina a voltar nossa atenção para aquilo que é verdadeiro, honroso, justo, puro, amável e digno de louvor.

Isso também faz parte da caminhada.

Porque algumas situações terminam, mas continuam acontecendo dentro da nossa cabeça.

Repetimos conversas.

Imaginamos cenários.

Tentamos prever tudo o que poderá acontecer.

E, pouco a pouco, aquela situação começa a ocupar toda a nossa mente.

Por isso, depois de ensinar a levar nossas preocupações a Deus, Paulo também nos ensina a cuidar daquilo que alimentamos em nossos pensamentos.

E então ele termina dizendo:

“Continuem a praticar tudo que aprenderam...”
 
Filipenses 4:9 | NVT

Perceba a caminhada.

Eu sinto.

Eu reconheço.

Eu converso com Deus.

Eu cuido daquilo que ocupa minha mente.

E continuo vivendo aquilo que tenho aprendido com Ele.

 

Quero deixar uma pergunta para sua caminhada

Talvez hoje você esteja vivendo um momento muito bom.

Mas talvez não.

Talvez exista alguma coisa preocupando você enquanto lê este texto.

Não quero dizer para você simplesmente parar de sentir.

Quero convidá-lo a perceber para onde aquilo que você está sentindo tem levado você.

Você tem procurado apenas alguma coisa para aliviar a dor?

Tem tentado resolver tudo sozinho?

Tem ocupado sua mente tentando controlar aquilo que ainda nem aconteceu?

Ou tem aprendido a levar sua realidade para Deus?

Paulo estava preso.

A prisão era real.

Mas a prisão não recebeu autoridade para determinar sua maneira de viver.

Talvez eu e você precisemos aprender isso também.

Não podemos escolher todas as situações que encontraremos pelo caminho.

Também não conseguimos escolher simplesmente não sentir aquilo que elas produzem em nós.

Mas podemos aprender, em cada uma delas, a voltar para o Senhor.

Por isso, durante o seu dia, quando perceber uma preocupação, uma tristeza ou um medo surgindo, antes de procurar alguma coisa para fugir daquilo que está sentindo, faça uma pequena pausa.

Converse com Deus.

Conte a Ele o que está acontecendo.

Diga o que você está sentindo.

Apresente aquilo de que precisa.

E continue sua caminhada.

Porque talvez a pergunta mais importante não seja:

“Como faço para parar de sentir isso?”

Mas:

“Diante daquilo que estou sentindo, para onde vou?”

 

Pense Nisso!!!

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